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As coisas não são feitas por acaso

sinopse

Esta viagem, este filme, termina na apresentação do livro de Eduardo Gageiro, no exato momento em que frente às suas imagens de 30 anos de Lisboa, o fotojornalista se cruzará de novo com os olhares de Elsa e de Pato Anselmo.
Tal e qual como nos espetáculos de panoramas do século XIX, assistimos à passagem dos acontecimentos e das personagens que Eduardo fotografou. Mas Eduardo fotografa ainda, é presente, actual, vivo e por isso, ao lado da grande escala assistimos às sessões fotográficas na humilde e lotada mesquita da mouraria, nos desgrenhados cabeleireiros para negros do Martim Moniz, e nas desarrumadas das lojas chinesas. “O dia-a-dia que soletramos sem dar por isso”, escreve o amigo José Cardoso Pires. Fragmentos unidos em torno do ponto de vista que este projeto, já com quase 3 anos, foi instalando. De facto, a arte de Eduardo Gageiro é a sua cegeira ao quotidiano do quotidiano, é sua capacidade de registar -melhor se dirá, imaginar- formas que se projetam imediatamente no tempo das imagens. No presente contínuo da memória. Mas por esta vidência, Eduardo paga o preço de a todo tempo ter o corpo ao serviço do seu virtuoso olhar. Um olhar implacável que exige um corpo em permanente estado de alerta: rápido, obsessivo e avaliador; o olhar que recordo ao meu pai, fotógrafo amador durante 40 anos; e a razão íntima do meu interesse pelo modo de fotografar de Eduardo.
Eduardo Gageiro transporta sempre consigo uma máquina fotográfica. Há 50 anos que o faz. É esse o seu compromisso com o mundo. O mundo real, sensorial, feito de pessoas que amam, que trabalham, que esperam, que vivem. Eduardo fotografa a carne, o olhar, a gente: a matéria das coisas. Longe das fotografias de Gageiro ficam os programas estéticos ou os rendilhados teóricos. Porém depois da sensualidade, da intuição visceral que Eduardo tem com o mundo, vem um extenso e demorado processo de escolha e organização das fotografias. Processo idêntico à montagem cinematográfica e que me interessa muito filmar. Trata-se afinal da construção de uma narrativa que ora avança por choques, ora por acumulação. Uma história que a tudo tempo gere asurpresa, a emoção, o silêncio e a respiração de quem folheia os livros ou percorre a exposição.É por tudo isto que há os prémios: mais de 300 e em dezenas de países.
É este o olhar do filme sobre Eduardo Gageiro. Um filme que parte das histórias de duas imagens e que as cruza com a da preparação do seu último livro. Um filme que mostra como o olhar profundamente português deste fotógrafo viu as transformações em Portugal e no mundo nos últimos 60 anos. Um olhar que imaginou e que por isso viu e fotografou, o beijo de Dona Maria ao cadáver de Salazar em 1970, o rapto dos Israelitas nos jogos Olímpicos de 1972, o momento decisivo da revolução de 74, e as sedutoras revelações dos retratos de 95. Um olhar que na precisão científica de Álvaro Cunhal só pode ter origem num “observador atento e incansável que, com talentosa criatividade, não só colhe como cria a imagem e com ela interpreta a pessoa e o acontecimento."

As coisas não são feitas por acaso

2013

91'

HD

Doc

Fotografia: Tiago Cravidão Miguel Amaral
Som:Pedro Lourenço
Música: Luís Figueiredo
Montagem: Tiago Sousa, Tiago Cravidão

Festivais

- Menção Especial do Júri: Festival Figueira Filmart (2014)

Exibições

-Cinema São Jorge (Estreia 2013)
- XVI Semana Cultural da UC
- Cine-Avante (2013)
- Instituto Português da Fotografia (2013)
- Cineclube do Barreiro (2014)
- Mosteiro Santa Clara-a-Velha (2015)
- CineBrasil Tv (2019)

DVD disponível

Financiamento

Fundação Calouste Gulbenkian

Apoios

Videoteca de Lisboa; Alto Patrocínio da Assembleia da República Portuguesa

Agradecimentos

Henrique Loff; Casa Relvas

Largo Filmes

Persona Non Grata - Brasil

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